
As ameaças não se limitaram ao rapaz; os criminosos também juraram matar sua família
Vilhena, RO - Não é só em Vilhena que facções criminosas usam o terror para reafirmar seu poder e intimidar grupos rivais: ainda repercute na maior cidade do Cone Sul de Rondônia, a decapitação de uma mulher, cujo corpo sem cabeça viralizou em grupos no WhatsApp (ENTENDA AQUI).
Uma ocorrência policial parecida, também envolvendo facções, mas sem um final tão dramático, foi registrada recentemente em uma cidade de Mato Grosso nas proximidades da divisa com Rondônia.
Um pesadelo de sequestro e tortura terminou em a fuga desesperada para um jovem de 18 anos em Sapezal, cidade de Mato Grosso a cerca de 250 km de Vilhena. Identificado como J.V., a vítima conseguiu escapar do cativeiro de uma facção criminosa após horas de violência e ameaças, incluindo a tentativa dos bandidos de queima-lo vivo. O caso, que chocou a comunidade local, está sendo investigado pela Polícia Civil.
O drama começou em um sábado à noite, quando o jovem e um colega de trabalho estavam em um bar. Abordado por desconhecidos, J.V. foi forçado a entrar em um carro, um Volkswagen Polo branco, caracterizado como táxi, sob a falsa acusação de pertencer a uma facção rival, o PCC. O jovem foi levado para uma área isolada, onde as agressões começaram.
Amarrado pelas mãos e pés, ele foi torturado com pedaços de madeira e cordas. O ápice do horror ocorreu quando os criminosos tentaram atear fogo nele usando gasolina.
Durante o tempo em que esteve preso, o jovem ouviu os agressores conversando ao telefone com um suposto líder, que estava em uma unidade prisional e ordenava as ações. As ameaças não se limitaram a ele; os criminosos também juraram matar sua família. A todo momento, exigiam que a vítima confessasse ter ligações com o PCC, enquanto se identificavam como "Trem, CV MT".
Em um momento de distração dos agressores, J.V. encontrou a oportunidade perfeita para a sua liberdade. Ele conseguiu se soltar, largou para trás sua carteira e celular e correu por uma lavoura. Visivelmente ferido e abalado, ele conseguiu chegar até a Fazenda Aliança, onde pediu socorro. As lesões pelo corpo confirmaram o relato de tortura.
Ao relatar os fatos à Polícia Militar, o jovem forneceu informações cruciais para a investigação. Ele descreveu os veículos usados no crime, o táxi Polo branco, um Voyage branco e uma moto vermelha e deu descrições detalhadas de dois dos sequestradores, incluindo a cicatriz de um deles.
A polícia foi até o local indicado pela vítima e encontrou evidências que corroboram o relato, como pedaços de corda e um tênis do jovem. O caso foi registrado em boletim de ocorrência e a vítima foi encaminhada para a Delegacia de Polícia Civil para prestar depoimento. Até o momento, os criminosos não foram localizados, mas a investigação continua, com as autoridades em busca dos envolvidos e dos veículos utilizados no sequestro.
Fonte: Polícia Civil/MT
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