
JBS tem planta frigorífica em Vilhena, e Marfrig conta com unidade em Chupinguaia
Vilhena, RO - Gigantes da proteína animal, as empresas JBS e Marfrig investiram bilhões nos EUA nos últimos anos — e agora podem ser prejudicados duplamente com as tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump. Suas operações nos EUA dependem, ainda que não integralmente, da importação de carne bovina do Brasil, que ficará mais cara com as tarifas.
A JBS Friboi exporta tanto para a JBS USA, e também para outros frigoríficos americanos. Nesta semana, a redação mostrou os impactos na região Sul de Rondônia, das medidas anunciadas por Trump, que passam a vigorar a partir do dia 1º de agosto. JBS tem uma unidade industrial em Vilhena, e Marfrig, outra em Chupinguaia (ENTENDA AQUI).
O rebanho dos EUA é o maior do mundo — mas está em declínio e hoje a produção é a menor das últimas cinco décadas. Assim como a capacidade manufatureira americana que Trump tenta reabilitar com sua errática política comercial, o rebanho não é suficiente para abastecer todo o mercado doméstico e os frigoríficos locais estão cada vez mais dependentes de importados.
Nesse cenário, as exportações de carne brasileira para os EUA vêm crescendo aceleradamente. O Brasil vendeu US$ 1,3 bilhão em carne bovina para os EUA no ano passado — o triplo do que foi exportado em 2020. E para este ano, a expectativa — antes do tarifaço — era de alta de 70% em volume, totalizando 408 mil toneladas.
Hoje a carne brasileira já paga 26,5% de tarifa e o setor ainda tenta entender a carta que Trump divulgou nas redes sociais na semana passada para saber se os 50% se somam à tarifa existente ou se esse seria o valor final.
OPERAÇÃO DA JBS USA
Os EUA são o maior mercado da JBS fora do Brasil. A empresa chegou ao país em 2007 com a compra da Swift e, no mês passado, transferiu a listagem das suas ações para a Bolsa de Nova York. Hoje são 90 unidades produtivas espalhadas pelo país norte-americano, com as marcas do grupo presentes em 2 mil pontos de venda.
Os irmãos Joesley e Wesley Batista têm algum trânsito na Casa Branca: eles foram os maiores doadores da cerimônia de posse do presidente americano, com um cheque de US$ 5 milhões.
No início do ano, a empresa anunciou ainda investimentos de R$ 1,1 bilhão (US$ 200 milhões) em modernização e ampliação das suas operações americanas. O grupo dos Batista é o terceiro maior produtor de proteína animal dos EUA — atrás de Tyson Foods e Cargill. Depois da JBS USA, vem a National Beef, da Marfrig. O grupo de Marcos Molina, que está em processo de fusão com a BRF (dona da Sadia), entrou nos EUA em 2018 com a compra da National Beef.
NOVOS MERCADOS
Um choque de preços com uma sobretaxa de 50% impacta obviamente os exportadores brasileiros —- mas, diferentemente do mercado interno americano —- eles têm mais alternativas na mesa para escoar a produção.
Com sua pecuária extensiva, o Brasil tem volume e preços competitivos. A arroba do boi gordo custa algo em torno R$ 300 no Brasil e R$ 620 nos EUA. A Austrália, que poderia fornecer para os EUA, não tem volume para suprir a demanda hoje da carne brasileira.
O Brasil abriu este ano o mercado do Japão — que por décadas ficou fechado para a carne brasileira por razões fitossanitárias. Outros países asiáticos, assim como México e Canadá, também podem absorver parte da demanda.
Outra alternativa que está no radar é exportar o gado vivo para o vizinho Paraguai — que não sofre com retaliações de Trump. A brasileira Minerva tem planta no país vizinho.
O preço do boi no Paraguai é de 5% a 10% mais caro do que o brasileiro — a diferença pode compensar a venda do boi vivo.
De toda carne exportada no ano passado, 8% teve como destino os EUA. É hoje o segundo maior mercado, atrás de China. Antes do anúncio do tarifaço de 50% esta semana, havia expectativa de que essa participação subisse para 14%.
JBS e Marfrig ainda não se manifestaram sobre o impacto do tarifaço.
Fonte: UOL
Nenhum comentário