Conheça o cientista que tenta viajar no tempo após perder o pai - VILHENA ONLINE - NOTÍCIAS DE VILHENA E RONDÔNIA

Conheça o cientista que tenta viajar no tempo após perder o pai

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Ron Mallett é um cientista e professor que passou a vida estudando viagem no tempo, e o motivo é emocionante

Vilhena, RO - A viagem no tempo é uma teoria há muito estudada, nem sempre apenas pela inovação, mas também por motivos emocionais.

Diversos cientistas buscam recuperar o tempo perdido e dedicam sua vida a entender se isso é mesmo possível. Um deles é Ron Mallett, um astrofísico que tem dedicado grande parte de sua vida adulta a essa ideia.

Para isso, desenvolveu equações inéditas que ele afirma tornar possível construir uma máquina do tempo. Mesmo sabendo que é difícil, e quase impossível, seu trabalho de anos construiu uma carreira de prestígio.

O motivo é surpreendente: ele deseja rever seu pai.

Mallett tinha apenas 10 anos quando seu pai faleceu repentinamente por conta de um ataque cardíaco.

Na época, era seu herói e sua inspiração. Por isso, Mallett busca uma maneira de revê-lo, mesmo que brevemente. Um ano depois do incidente, ele leu o livro de ficção científica “A máquina do tempo”, e disse que mudou sua vida.


Sessenta anos depois, o cientista prestigiado Mallet, 74 anos, tornou-se um renomado professor na Universidade de Connecticut. Além disso, agora ele estuda buracos negros e a teoria da relatividade.

Mesmo ainda estando longe do objetivo, Mallett mostra como a viagem no tempo é mais do que apenas ciência, também é amor.

Como fazer uma viagem no tempo?

Nos anos 1950, Mallett teve seu primeiro encontro com a ideia de viajar no tempo, uma época em que o espaço ainda era desconhecido e incerto.

Criado em meio a dificuldades financeiras no Bronx e na Pensilvânia, Mallett, autodenominado “fanático por livros”, buscava consolo nas estantes da livraria local do Exército da Salvação após a perda de seu pai.

Encontrando inspiração nos escritos de Einstein, ele persistiu em seus estudos, aproveitando o apoio educacional do G.I. Bill após servir na Força Aérea dos EUA, incluindo uma temporada no Vietnã.

Com bacharelado, mestrado e doutorado em física, especializando-se na teoria de Einstein, Mallett ingressou na vida acadêmica na Universidade de Connecticut (UCONN). Durante seu percurso, desde os tempos do Vietnã, ele contemplava silenciosamente a possibilidade de viagens no tempo.

Foi somente após garantir estabilidade como professor na UCONN que Mallett compartilhou publicamente suas ambições, temendo o estigma do “professor maluco”.

No entanto, ao revelar suas ideias, encontrou ressonância global, percebendo a universalidade do desejo humano de revisitar o passado, expresso por pessoas de todos os cantos do mundo.
Fundamentação teórica

Atualmente, Mallett passa seus dias no laboratório repleto de equipamentos, conduzindo experimentos em pequena escala para demonstrar os princípios que registra nas lousas.

Apesar do toque pessoal de sua busca, a validade científica de suas ideias é questionada. Mallett, no entanto, afirma que tudo se relaciona com as teorias de Einstein: a relatividade especial e a geral.

Resumindo, ele explica: “Einstein afirmou que o tempo pode ser influenciado pela velocidade”. Ele ilustra com astronautas em um foguete viajando quase à velocidade da luz. Para eles, o tempo passaria de maneira diferente na Terra.

Ele argumenta que, de acordo com essa teoria, viajar rápido o suficiente significa, em essência, viajar no tempo.

O exemplo clássico é que, ao retornar, os astronautas poderiam achar que passaram apenas alguns anos, enquanto décadas se passaram na Terra.


Como ele se encontraria com o pai?

Contudo, esse ponto levanta a questão: se a teoria de Einstein se concentra em viajar para o futuro, como isso poderia contribuir para a busca de Mallett por reunir-se com seu pai?

A teoria da relatividade geral de Einstein fundamenta-se na relação entre gravidade e tempo.

Mallett explica que, de acordo com Einstein, a gravidade mais intensa desacelera o tempo.

Essa teoria propõe que a força que chamamos de gravidade não é uma força, mas sim o efeito de um objeto massivo sobre o espaço, que, quando dobrado, pode deformar o tempo.

Para Mallett, a chave está em distorcer o tempo em loops, permitindo assim a viagem do futuro para o passado e vice-versa. Ele visualiza isso como uma fenda espacial, um túnel com duas aberturas.

A proposta inclui o uso de lasers para criar um feixe de luz circundante que distorce espaço e tempo, inspirado em sua experiência anterior com lasers em motores de jatos.

Mallett destaca a utilidade da luz para afetar o tempo por meio de um anel de laser. Seu protótipo demonstra como esse feixe de luz pode atuar como base para uma máquina do tempo.

Ele sugere que o estudo do campo gravitacional gerado por esse anel pode abrir novas perspectivas para a criação de uma máquina do tempo.

Apesar de uma equação teórica que, segundo ele, comprova a viabilidade, surge um problema significativo: a transmissão de informações no tempo só é possível a partir do momento em que a máquina é ativada.

Embora a busca de Mallett para voltar à década de 1950 esteja longe de se concretizar, ele permanece otimista, explorando continuamente possibilidades.
A possibilidade da viagem no tempo

Será que estamos prestes a testemunhar, em um futuro próximo, a viagem no tempo fazendo parte da nossa rotina diária?

À medida que nos lançamos em uma nova década, conceitos que antes eram fantasia agora se tornam uma possibilidade.

No entanto, nem todos compartilham dessa perspectiva otimista. O astrofísico Paul Sutter, apresentador do podcast “Pergunte a um Homem do Espaço!”, expressa que isso é potencialmente perigoso e apenas vive no campo das teorias.

Sutter, ciente do trabalho de Mallett, admira sua abordagem, embora duvide da eficácia prática de seus esforços. Ele aponta para falhas na matemática e na teoria, considerando um dispositivo viável como algo inatingível.

Críticas mais severas à teoria de Mallett surgiram em 2005 por Ken D. Olum e Allen Everett, do Instituto de Cosmologia da Tufts University.

Eles apontaram falhas na equação de Mallett e questionaram a viabilidade de seu dispositivo proposto.

Por outro lado, o escritor de ciência britânico Brian Clegg vê as ideias de Mallett com maior simpatia, retratando o cientista em seu livro “Como Construir uma Máquina do Tempo”.

Clegg considera a proposição intrigante o suficiente para merecer uma tentativa experimental, mesmo que alguns discordem da funcionalidade prática do dispositivo, destacando que, se funcionar, produzirá um efeito pequeno, mas mensurável, demonstrando o princípio.


Não é como nos filmes

Mallett faz questão de esclarecer que suas ideias permanecem no âmbito teórico no momento. Ele destaca que está atualmente buscando financiamento para realizar experimentos concretos.

“Não é como nos filmes”, ressalta Mallett. “Não acontecerá em duas horas, ao custo do ingresso. Haverá um investimento real”.

Por outro lado, falando em filmes, Mallett revela que cedeu os direitos de sua história para uma grande produtora, e outro projeto cinematográfico está em desenvolvimento.

Mesmo após dedicar toda uma vida à pesquisa sobre viagem no tempo, é possível que Mallett nunca retorne fisicamente a Nova York dos anos 1950.

No entanto, graças à magia do cinema, ele ainda pode ter um vislumbre do passado, daquele “país estrangeiro”, e, de certa forma, se reunir com seu pai mais uma vez.

Fonte: Fatos Desconhecidos

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