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Nota oficial contra Moro empurra Polícia Federal para debate eleitoral

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PORTO VELHO, RO - A decisão de Paulo Maiurino, diretor-geral da Polícia Federal, de rebater declarações do ex-ministro e presidenciável Sergio Moro (Podemos) empurrou a instituição para dentro do debate eleitoral.

Por meio de nota divulgada nesta terça-feira (15), a PF acusou Moro de mentir nas declarações que tem feito sobre o trabalho que o órgão desempenha nos últimos meses.

A PF atacou também o ex-juiz por sua atuação na passagem no Ministério da Justiça, do qual a polícia é subordinada.

Segundo o texto da Polícia Federal, Moro desconhece a corporação e negou fazê-lo quando teve oportunidade, ficando fora de todos os debates que envolviam interesses dos servidores.

A nota provocou polêmica dentro e fora da corporação. Moro deixou o ministério em abril de 2020 ao acusar Jair Bolsonaro (PL) de inferência na corporação e hoje se apresenta como pré-candidato à sucessão do presidente.

Como mostrou a Folha, a cúpula da PF vinha desde o ano passado sustentando internamente um discurso de preocupação com eventual exploração da atuação do órgão durante a campanha eleitoral.

Agora, diz que foi preciso reagir publicamente aos ataques do ex-ministro para fazer a defesa institucional da corporação. Alega que Moro faz discurso eleitoreiro "vazio" porque não teria havido mudança significativa em termos operacionais entre o período em que foi ministro (janeiro de 2019 a abril de 2020) e o atual.

Lembra que aliados de Bolsonaro são alvos de investigação por ataques infundados ao STF (Supremo Tribunal Federal) e a seus integrantes.

Alega ainda que a manifestação conta com o respaldo de uma parcela significativa de servidores da PF. Cita a insatisfação deles com Moro por não brigar pela categoria durante a discussão da reforma da Previdência realizada pelo atual governo.

A passagem do ex-juiz pelo Ministério da Justiça foi muitas vezes criticada internamente na corporação, mas a gestão do diretor Maiurino também é alvo de ressalvas por parte de quadros que ocuparam posições relevantes em gestões anteriores ao próprio Moro.
O delegado Paulo Maiurino é diretor-geral da Polícia Federal. Credito Alesp

Nas redes sociais, integrantes da PF fizeram críticas ao comunicado. Em tuíte replicado por Moro, o delegado Alexandre Saraiva falou que a polícia vive "momento mais tenebroso".

O policial foi responsável por apresentar no Supremo uma notícia-crime contra o então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles por supostamente ter atrapalhado investigações de exploração ilegal de madeira. O político sofreu desgaste e acabou deixando o cargo.

"Resultado da pior administração da história da PF obra de 'uma patota de encapuzados que ficou por anos em chefia de cargos comissionados, postos que incrementam o salário'. Agem como se na PF 'houvesse feudos'", afirmou Saraiva.

Na mesma rede social, o delegado Fabiano Bordignon, que chefiou o Departamento Penitenciário Nacional durante a gestão de Moro, afirmou que prefere "as operações espetaculares do passado, que revelaram as chagas abertas da corrupção política, ao espetáculo atual da impunidade".

Há meses Moro tem feito críticas à atuação da polícia e deve ser essa uma das suas principais bandeiras na sua corrida eleitoral.

Nesta terça à noite, após a manifestação da PF, o ex-ministro voltou ao assunto.

"Eu respeito muito a PF, os delegados, agentes, escrivães, peritos, papiloscopistas e servidores. Este momento vai passar. Vocês vão voltar a ser valorizados."

"Contem comigo para continuar sendo uma das instituições mais respeitadas no combate ao crime", ao comentar uma reportagem sobre redução no número de prisões envolvendo casos de corrupção realizadas pela PF.

Um inquérito foi aberto para apurar as denúncias feitas pelo ex-juiz e ainda não foi terminado até hoje. O presidente da República já foi ouvido na investigação. A manifestação do diretor-geral ocorre, portanto, em meio a uma investigação em curso.

A nota emitida pela PF também deve dar munição a Moro sobre o fim desse inquérito, politizando a conclusão da apuração.

A apuração foi aberta em abril de 2020 a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), após a saída de Moro do governo, quando pediu demissão do cargo de ministro da Justiça e denunciou uma suposta interferência de Bolsonaro na PF para a proteção de aliados e familiares.

​Em entrevista à Jovem Pan nesta segunda (14), Moro disse que o atual governo e o Congresso destruíram a Lava Jato e afirmou que hoje não tem ninguém no Brasil sendo investigado e preso por corrupção.

Na resposta, a PF disse que Moro fez "descabidos ataques" ao órgão e mentiu.

"A Polícia Federal efetuou mais de mil prisões, apenas por crimes de corrupção, nos últimos três anos. Neste mesmo período, a PF realizou 1.728 operações contra esse tipo de crime. Somente em 2020, foram deflagradas 654 ações - maior índice dos últimos quatro anos", consta na nota da polícia.

"Vale ressaltar que a Polícia Federal vai muito além da repressão aos crimes de corrupção. Em 2021, bateu recorde de operações. No total, foram quase dez mil ações, aumento de 34% em relação ao ano anterior."

O texto da PF também colocou que o papel da corporação não é produzir espetáculos, mas sim conduzir investigações, "desconectadas de interesses político-partidários".

A atual a gestão da Polícia Federal se posiciona nos bastidores como crítica dos chamados excessos da Lava Jato.

No fim do ano passado, quando foi deflagrada operação contra o presidenciável Ciro Gomes (PDT), a PF vetou pedido para realização de entrevista à imprensa que seria realizada no Ceará sobre a operação. Integrantes da cúpula afirmaram na época que os pedidos de buscas e apreensão são no modelo "lavajatista", sendo midiáticos.

Fonte: Folha de São Paulo

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